Projetos de Animação.

O Scratch utiliza uma interface gráfica que permite montar programas como os blocos LEGO. Tem comandos separados que podem ser alterados através de menus que permitem mixar imagens, sons e outros tipos de programas. O ambiente de desenvolvimento pode ser baixado gratuitamente.


Esta ferramenta é útil para enterder as coordenadas X e Y, seus valores e sinais. O conceito pode ser transportado para iniciar estudo das Coordenadas geográficas, Norte /Sul; Leste/Oeste; Paralelos e Meridianos.

Para acessar uma vídeo-aula Clique aqui!
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Folha do projeto de "livro animado" de "O Pequeno Príncipe" de Saint-Exupéry para projeção em "data-show" exibido em 11/12/2010 em cerimonia de conclusão de ensino fundamental.
Folha do projeto de "livro animado" de "O Pequeno Príncipe" de Saint-Exupéry para projeção em "data-show" exibido em 11/12/2010 em cerimonia de conclusão de ensino fundamental.




Porque Etoys (Brinquedos)

Este texto foi parcialmente traduzido e copiado do sitio Squeakland e pode ser acessado clicando no ícone do menino com a estrela

Estudantes enfrentam diversos desafios que podem impedí-los de aproveitar ao máximo seu tempo na escola.

Um deles é a motivação. A maioria das crianças preferem fazer qualquer outra coisa a sentar e escutar lições que não parecem ser importantes.

Mesmo com crianças motivadas, existe ainda outro problema, elas são ensinadas como mas não porquê. Elas podem se dar bem nos testes, mas não aprendem a pensar com autonomia.
Etoys Engaja

Crianças usam Etoys para criar seus próprios modelos, estórias, e jogos, o que as mantém engajadas, pois é muito divertido.

Mas Etoys não é apenas brincadeira de criança. É um recurso muito eficiente para ensinar matemática, ciências e expressão artística, embora muitas pessoas não concluam que isso seja possível.

As crianças ficam imersas em descobrimentos, alcançando novas idéias, tornando suas lições mais significativas se comparadas ao método expositivo

Objetos para pensar

Crianças pequenas apredem melhor experimentando e brincando. As crianças adoram agarrar, soltar, amassar, enfim interagir com coisas do mundo a sua volta, muitas vezes desencorajadas pelos adultos.

Problemas começam a acontecer quando é ensinado para as crianças, coisas que elas não podem ver ou tocar. Matemática e gramática são dificeia porque são menos "reais" que blocos de madeira.

Etoys torna as abstrações mais palpáveis, permitindo às crianças visualizar e explorar novas idéias.
Muitas escolas ensinam iniciação a informática, embora isso raramente exceda a editores de texto, browser de internet e apresentações simples.

Etoys viabiliza a real fluencia em computação, permitindo aos estudante a ler e escrever a linguagem do computador.

Escrever programas requer das crianças que elas quebrem problemas em partes menores e construam soluções de forma explícita. Os resultados são óbvios e imediatos, o que encoraja a exploração e o descobrimento.

Desenhando e Programando

Com Etoys, as crianças podem fazer seus próprios desenhos e depois dar vida a eles. As crianças elaboram programas que instruem os desenhos.

As crianças podem, então, colocar seus desenhos e textos em livros digitais com múltiplas páginas, permitindo-lhes a criação de estórias interativas que podem ser compartilhadas com todo o mundo.

Essa possibilidade gera um senso de propriedade nas crianças e oportuniza o aprimoramento de seus projetos a partir da interação.

Realização

Essa descoberta contínua tem benefícios que vão muito além do laboratório de informática.

O Script ensina a resolução criativa de problemas. Etoys dá às crianças a confiança eo domínio do pensamento crítico, que afeta a vida escolar e fora dela.

Mais do que isso, Etoys tem o poder de transformar o modo como as crianças se sentem sobre suas próprias habilidades. Com a construção da auto-estima, muitos alunos aprendem a dizer: "Eu acho que eu sou inteligente, afinal"

Disponível em: http://squeakland.org/about/intro/article.jsp?id=2313 - Acessado em 27/12/2010

EEE. J.E.SARAIVA

Lab.Informática/biblioteca E.E.E. João Evangelista Saraiva
Dir.Maria Salete Cordeiro - Coord.Clarissa Cunha Machado.


A utilização de objetos lúdicos é importante para alunos do ensino fundamental. O programa "Squeak" constitui uma ferramenta para esta finalidade. Desenvolvido por Seymor Papert e Alan Kay do MIT e dezenas de programadores voluntários por todo o mundo, constitui uma interface amigável e gratuíta, já utilizada intensivamente em alguns países visinhos. Permite simultaneamente aos alunos aprender a programação de computadores. enquanto desenvolvem conhecimentos em ciências, matemática, geografia, artes, etc...Os programas são leves e podem ser baixado rapidamente para utilização em "Windows", "Linux" ou "Mackintosh". Pode ser transportado em "pen-drive" e executado em qualquer computador, sem conexão com a Internet. A plataforma foi avaliada pelo Laboratório de Estudos Cognitivos da Faculdade de Psicologia da UFRGS e é utilizada pela escola de aplicação Luciana de Abreu em convenio com o Governo do Estado e da SMED de Porto Alegre .

Para conhecer o os tutoriais, dowloads clique Squeak:

Squeakland

Para acessar "LIVRO EM PORTUGUES: IDÉIAS PODEROSAS", http://www.squeakland.org/resources/


http://www.squeakland.org/

"Cinco pés de altura tem a porta, e três
podem passar lado a lado"
J.J.R.Tolkien

Sed fugit interea fugit irreparabile tempus.


O Luar


Ainda o vejo na barranca batida do pesqueiro, cotovelos entre os joelhos, atento à linha estendida.
- Noite alta, o rio corre sereno.
Observo-o pelas costas sob a luz tênue do lampião.

Meditativo, lança o toco do cigarro n'água e ato contínuo, levanta.
Olha para o chão.
- Vagas palavras murmuradas encadeam-se, como se falasse ao rio. Absorto, jacta ao vazio uma longa sentença em um latim colegial.
- Assusta a noite...
O clarão da lua emoldura seu vulto contra o espelho do rio. - Estende o braço e a vaga oratória recrudesce furiosa, como a surdina que precede os temporais.

- Brilha o litro de cana como se fosse uma espada! - Divaga, conclama, exclama, e vocifera. Não perde o fio-da-meada...
- Estremece a barranca. Ecoam pelas váus as falas entrecortadas... Calam-se os grilos.
Seu braço descreve um arco e estilhaça a lua com garrafada certeira.
Desemaranha a linha dos pés e senta...

(Pelas tocas que há nas beiras e pelas frestas que há nas pedras o rio ainda engole a marola...)


>>> prá ouvir antes ou depois d'O Tiro


O Tiro.
(À Deleuze)

Quem não viu alojar bala lambida no cano duma “flobé”, não sabe o poder que tem...
Balinha longa e fina, de estalido seco e grande alcance.

- Tudo bobagem. Não fosse uma clareira no mato. -

- Paramos:
Eu vinha atrás pelo zigue-zague da trilha por entre os ramos dos sarandís e carás que crescem pelas barrancas à atravancar os carreiros.
-Cheguei a enxergar as duas por entre os galhos de um pinheiro. Acabavam de pousar: - Bico longo, curvo e amarelo, já ajeitavam as penas (de um azulão cintilante à negro; por baixo das asas, tufos brancos, de uma alvura sem par)

Era longe demais: - Duvidei. (mas não disse.)

Pesadinha como são, João levantou devagar a “surda”. Ainda lembro o cedro oleoso da coronha, entre o guarda-mato e a telha, e o dedo a pressionar o gatilho. -(Nessas armas, a mira é um pequeno monolito de óxido escuro, entre o horizonte e a seteira da alça. [É preciso pegá-la grossa se o tiro é de longe.]) –

- Páóóhhh...

-O arrufo de pena e asa, como uma bola em frangalhos, despenca pelas galhadas.
É a impressão que se tem... - Ecoa o tiro pelas encostas... Fica o ouvido zunindo do disparo da bala; do estampido do tiro! Uma fumaça azulada e um cheiro de fulminato cala pelas narinas.

-Num movimento de embalo, balança a corucaca no galho, como num-vai-não-vai, pescoço comprido, estendido, desajeitada...

(A outra, [coitada] a bala pegou)



( - Em 1º de abril de 1964, apoiando as forças que depuseram João Goulart, um grande contingente armado partiu da Vila Militar de Deodoro para o centro do Rio de Janeiro.)




SETEMBRO


O Cruzeiro do Sul levantou entre os cerros do Campo de Deodoro.
Oldengard meio às cegas arrasta suas sandálias pelo areião dos estábulos. A tarde foi quente e opressiva, e o calor tropical cedeu a uma brisa noturna com um vago cheiro de mar. Os rumores do dia constrangem a noite carioca e os contrafortes das montanhas que cercam a base reverberam aos motores dos aviões em treinamento. Uma densa fumaça cor de chumbo empana o horizonte e esconde a Acrux da constelação de Centauro. Escorpião tremeluz alta junto ao facho mortiço e amarelado de Júpiter.

Atravessamos o quartel em direção a cantina. Cavalos ferrados e cobertos pateiam sonolentos nas báias. Um cheiro adocicado de alfafa e estrume rebate o bafio que emana das águas oleosas do riacho da Vila Militar.
- Jantamos e voltamos pelo campo escuro varando pelas cancelas. Na cantina os arqueiros acantonados entoavam uma canção militar. Podia se ouvir o treinador do Distrito que carregava nos “erres”. (Instigado ao jantar por tonitruante cantata de Oldengard, prosseguia ferrenho, a reger outra marcha com uma atávica sanha marcial!)

Perguntei: Quem derrubou Fulgencio Batista?
- O humor de Oldengard tornou-se acre, farejou à frente uma mijada ainda quente e examinou a espuma brilhante, nariz franzido, óculos à ponta; sentenciou: hoje vão ter mosquitos famintos ou fecham as janelas. - O que fizeram depois da queda é o que não me agrada.
..............
O dia foi cansativo, tiroteios desencontrados pras bandas do Gericinó, tráfego intenso e veloz de zona conflagrada; rajadas de metralhadoras em treinamento, paraquedistas que pairam sobre o Campo dos Afonsos, pneus estourados como matracas-de-fole na Avenida Brasil;
Helicópteros, como as cigarras nos charcos, flutuam por entre os montes. Balões brancos amarrados em pencas sobem da praia distante a elevar três grandes letras apenas. (como escreveu Bertold Brecht em Cruzada de Meninos, o “P”, já sabido, adivinha-se o resto...).

.............
Ao jantar, silenciara a cantina...
Guerra civil, anunciou.
Oldengard não era neutro, e a bravata não apontava vantagem. – Na televisão o presidente fala à nação. Sereno, consolidadas instituições. Rumor de cadeira arrastada, jargões requentados entre os convivas, talheres caídos e um noticiário desses à repetir em cascata, imagem após imagem as cenas de um confronto filmado.
- Que vazio na rua! Como corria o soldado! O tiro o teria pegado...Não parasse de chôfre ante o abrigo de um poste, certamente o tiro o teria pegado! Aponta o repórter: A trajetória da bala; o furo da bala marcado; a marca furada da bala. Um soldado ajoelhado em apoio. - Repete-se a mesma fala, editam novas imagens.
- Velas acesas em cruz (um saco negro reluz). Um choro convulso. Uma mulher em desespero que se escabela de dor - Declarações do comando, tranquila presença, quepes azuis, tarja xadrez, divisa e gravata; a tez tostada do sol, luzes giratórias de alerta e ao fundo os Arcos da Lapa - Na escuridão que se estende entre o asfalto molhado e os trilhos o medo se esconde. (Os pais recolhem os filhos.)

..............
No escuro, os arqueiros retomam o alojamento e entre as réstias de luzes que há nos postes jogam-se às camas, cansados e silenciosos. Um ventilador varre os que já dormem pelos beliches de cima. Na janela alta, remendos transparentes fremem a cada lufada. (No silêncio que se instalou, o ventilador parece um avião de carga em manobras. Como o HS que voava à tarde com o seu tênue e arqueado rabo de fumaça negra; gordo pato verdoso a alçar-se pesado entre as balizas e os montes)



II
...............
Dormia em sono ferrado e emerjo de um pesadelo: - Ao descer a ladeira um sangue brilhante escorre no tanque de uma moto caída. Um sangue escuro e viscoso. - Risco o sangue com os dedos...
O que me acordou? O baque abafado na porta ou o pesadelo em que estava?
- Forçaram a nossa porta. Ninguém acorda...- Um chiado eletrizante de rádio, interferências, descargas de estática e vozes entrecortadas. Três militares fardados contornam a casa.
Espio pela janela.

-Entre as palmeiras que a brisa embala, oito caminhões militares pesados parados; portas abertas, motores ligados. Luzes baixas e pequenas sinaleiras de um vermelho discreto. - Inaudíveis quase. Silenciosos e escuros como um assombro de morte.
(Os velhos guerreiros Xavantes não dormem em noite de luta pra não sonhar maus presságios).
O vento frio do ventilador varre-me as costas nuas e abala-me o queixo. Tremo incontrolavelmente...
Viaturas militares e da polícia, carros de inteligência avançam na contra-mão. Um preto de vidros escuros fechados - São Jorge estampado à porta, dragão à lança varado segue o funesto cortejo.
Santo guerreiro...
Ogum!
O que querem aqui à essa hora? Porque lanternas acesas se já amanhece o dia?
- Rumores na outra porta. Forçam o alojamento do lado. Um vazio azíago engulha-me o estômago. Voltam em quatro e embarcam.

Move-se o comboio. Uma brasa de cigarro faísca estrelinhas ao solavanco da marcha. Vinte soldados sentados em carroceria coberta, cano de fuzil apoiado ao queixo, dedos cruzados, como a reconciliar no balanço do tranco, um remoto sono perdido. - Passam oito caminhões (fora os que já passaram), mais oito... ( doze com toldas fechadas) Quatro "brucutus" de grande porte, e por último, uma ambulância atrasada.
(Seiscentos homens, estimo.)

.............

Deserta a rua. As pedras gastas luzem ao óleo dos vazamentos.
Me sento a cama com frio... Ainda tremo de medo.
Nem mais um carro pesado, tanque ou blindado que seja...
Não se derruba governo...
Apascento o coração.

...............


O morro...

Um morro cinzento emerge ao amanhecer.
Jovens negros, mulatos, brancos e cafuzos, Indiáticos, alinhados e em desalinho, dentes brancos, imberbes, tristes primos-irmãos, empregados. Poucos brancos. Fuzis aos ombros, soturnos, vadeiam pelas calçadas.
(Mortos: um, em confronto civil e outros. – Nove, na madrugada passada).
Que diferença há, entre a camuflagem da farda e um mulato surrado nesse lusco-fusco que aterra? Criança, velho ou mulher... Estampidos sequenciados... É desta, a guerra que falam?

O quadrilátero da janela já dá os contornos da aurora!
Mas que horas?
E esse dia que não chega? Se anuncia, não avança ou recua...
Que dia?
Todos dormem. - Roça o ventilador a esvoaçar os cabelos dos que ressonam pelos beliches de cima.-
Quem tombará na favela?
No meu relógio novo vejo um número escuro no mostrador digital, e quase não vejo a hora. Parece sete. O dia à frente do mês? (um mostrador em inglês) O mês à frente do dia?
...................................................

Clareia


Saímos:
Não falo nada até chegar à cancela.
(Eu, Oldengard e a guarda) - Pergunto temeroso e afirmativo: Feriado?!..
Os olhos do soldado brilham e a sentinela se abre. Não é preciso mais nada. Já se sente o cheiro de casa, de varanda com as folhagens nas latas; da barra do mar que quebra, ao pé das pirambeiras que sobem, às costas do redentor...

Uma réstia morna de luz ilumina a rua. Flamejam ao sol as flores dos flamboaiãns.
Seiscentos soldados marcham na Independência. General das Merces... Marques do Sapucaí! Sapucaio-Tupi!
Que sofrimento danado!
(Setembro é nove, não sete.)

- Retomo a noção do tempo.
Entre alegre e aliviado, cantarolo:

Quando piso em folhas secas /
Caídas de uma mangueira /
Lembro da minha escola /
E dos poetas da minha Estação-Primeira / Não sei quantas vezes /
Subi o morro cantando /
Sempre o sol me queimando /
E assim (...)


--Assobio o resto.

S.L. 11 de setembro de 2007 - Orfilho de Toledo