
Bolor cobrindo um pêssego em decomposição. As imagens foram obtidas a intervalos de aproximadamente 12 horas ao longo de seis dias.
Animação obtida em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fungi
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CAPACITAÇÃO EM DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS
CULTIVO DE FUNGOS: FERRAMENTA PEDAGÓGICA CONSTRUTIVISTA
Autor: OSVALDINO ROSA FILHO
LAGOA VERMELHA RS
Secretaria Estadual da Educação.Superintendência, SUEPRO. Capacitação em Organização e Desenvolvimento de Projetos. Porto Alegre. 2007.
Titulo-Cultivo de fungos: Uma ferramenta pedagógica construtivista.
Objetivo geral: - Pesquisar ao nível de laboratório o cultivo de micélios de fungos comestíveis e seus eventuais competidores.
Objetivos específicos: -Adaptar o laboratório da escola para cultivo de microorganismos.
- Realizar um experimento com os alunos para verificar a competição entre micélios de fungos do gênero Pleurotus e seus eventuais competidores.
-Elaborar estratégia experimental onde os erros previsíveis possam ser utilizados para reflexão, discussão e reestruturação do projeto.
-Desenvolver os métodos usuais de cultivo de fungos e registrar os resultados do ensaio e experimento.
-Observar os resultados, revisar procedimentos, e fixar as técnicas corretas de cultivo de fungos in vitro.
-Propor a produção destes gêneros de cogumelos comestíveis a partir de substratos comuns na região.
Problemas:- Como preparar um experimento em nível de laboratório, que utilize fundamentos da metodologia construtivista no estudo de fungos comestíveis do gênero Pleurotus e seus competidores?
- Eugen perguntou a Komachiya porque o mestre observara impassivamente seus esforços infrutíferos quando teria sido mais fácil ensiná-lo desde o princípio a ação correta?
- Um “ Mestre” respondeu, tem que ser ao mesmo tempo um “ Educador”.
Se o aprendizado tivesse sido iniciado pelos exercícios jamais o senhor se convenceria da sua influência decisiva. HERRIGEL. 1946 P.146
Sub-Problemas:
1- Como preparar aulas praticas de laboratório sob a perspectiva construtivista?
2- Quais os erros mais comuns que induzem a infecção das culturas de fungos?
3- O que fazer para melhorar às condições sanitárias no cultivo de fungos?
4- Qual a relação entre os fungos comestíveis e seus competidores?
5- Qual a relação entre teoria e prática?
Justificativa: Projetos de pesquisa nem sempre são realizados no laboratório da escola pelas dificuldades metodológicas que apresentam, pela falta de material ou equipamentos, e frequentemente pela dificuldade de conduzir turmas de alunos numerosas em espaço reduzido, . Os alunos de segundo grau constituem um grupo com potencial suficiente para realizar sua independência, desde que conheçam algo minimamente, e sistematizem com certa profundidade a realidade do mundo que os cerca. Segundo Eneo, “Na concorrência da vida, são muitos os contratempos. As bactérias, os vírus e os fungos são apenas uma lembrança de que os erros e os descuidos estão dentro de nós mesmos.” 1996.
A apropriação desta realidade mais imediata pela ciência resulta em conhecimentos, que validados pela comunidade constituem uma ferramenta de transformação que possibilitam a ascensão do educando aos meios de produção tanto material quanto conceitual. Para a apropriação dessa realidade, é necessário a discussão dos problemas com os envolvidos. Ação
e reflexão, teoria e prática, como resume Regina Borges em “Repensando o Ensino de Ciência” 2007. – Portanto, criar uma “massa crítica” consciente que impulsione à ação, passa a ser o objetivo principal do projeto, pois, segundo Paulo Freire, na medida que o indivíduo transforma o mundo, por ele é transformado, numa relação dialética que é a essência do construtivismo.
Alexander Fleming em 1929 descobriu, por um erro na manipulação de meios de cultura, que os fungos produzem substâncias que inibem o desenvolvimento de bactérias. Dá mesma forma, o cultivo de cogumelos comestíveis em meios de cultura também é susceptível de infecções. No ensaio que propomos realizar é esperada uma ação semelhante entre os fungos que disputam o mesmo substrato, e caso isso não ocorra, pelo menos se esperam velocidades diferentes na ocupação dos meios de cultura. A competição entre os seres vivos tem atraído a atenção do homem e foi objeto do estudo de Charles Darwin em seu revolucionário livro “A Evolução das Espécies”, no qual desenvolveu, entre outras, a tese da sobrevivência do mais apto. O termo Antibiose restringe-se a competição, e se aplica no caso em que um organismo produz substâncias tóxicas que atuam em baixas concentrações (menos de 10 ppm.) sobre outros organismos. A antibiose caracteriza-se como um antagonismo, e ocorre principalmente entre os fungos e as bactérias. Magali Kocher e Daniel Job observaram a formação de substâncias inibitórias em 11 espécies de cogumelos comestíveis em confronto competitivo com cepas de Tricchoderma sp. (Des mécanismes de défense de différentes souches industrielles de champignons vis à vis de Trichoderma sp). A Competição pode ser definida como um comportamento desigual entre dois ou mais organismos diante de um substrato, sempre que um dos organismos reduza a quantidade de substâncias e espaço disponível aos demais. A competição mais comum é por nutrientes e oxigênio.( Soporte de apoyo a los prácticos del Curso Básico de Fitopatologia) Algumas espécies de Trichoderma, Dactylium dendroides, Fusarium martii, F.oxysporum, Cladobotryum ternatum, tem dizimado os micélios de fungos comestíveis do gênero Pleurotus. Os fungos competidores, porém, não podem ser considerados agentes etiológicos, já que não parasitam o cogumelo cultivado, embora sejam responsáveis por enormes perdas na produção. Estes concorrentes disputam com o cogumelo comestível espaço físico e o alimento existente no composto. Predomina entre pesquisadores, técnicos e produtores, a idéia de que qualquer aprimoramento na técnica de produção e esterilização do composto poderá contribuir grandemente para aumentar a produtividade dos cogumelos. Normalmente os substratos de cultivo são esterilizados ou pasteurizados pelo calor seco ou úmido para eliminação de fungos ou bactérias nocivas. O aparecimento de competidores, esta intimamente ligado à baixa produtividade, e vice-versa. Investigam-se e multiplicam-se exemplares que apresentam vigor e resistência. Os principais fungos competidores existentes, segundo a literatura mundial, citado por Leila Nakati Coutinho, são: Trichoderma spp., (bolor verde branco), Chaetomium olivaceum Cooke & Ellis e Chaetomium sp. (bolor verde oliva), Pseudobalsamia microspora Diehl & Lambert (trufas), Myceliophtora lutea Cost.& Mart. (bolor verde-cinza), Scopulariopsis fimicola (Cost. & Matr.) Arn. & Barthelet (bolor branco farinhoso), Doratomyces stemonitis (Pres.) Morton & Smith (bolor preto), Papulospora byssina Hotson (bolor marrom pulverulento) ( Myriococcum praecox), Oedocephalum sp. (bolor rosado), Xilaria spp. (mal do esclerócio), Penicillium spp. e Aspergillus spp. (Bolores verdes), Sporotrichum sp., Sepedonium sp. (bolores amarelos), Geotrichum sp. (bolor vermelho), Phymatotrichum sp. (bolor cinza) Peziza sp.
(=Ostrachoderma sp.), Clitocybe sp., etc. Também alguns mixomicetos têm sido citados como competidores por outros autores. As informações teóricas disponíveis na biblioteca ao nível de segundo grau, e na “WEB”, são suficientes para abordar o assunto, porém a aplicação
prática depende da clareza dos textos, podendo ocorrer erros de interpretação dos conteúdos e na execução das técnicas, dificultando principalmente aos leigos a realização deste tipo de atividade. O estudo do Reino Fungi depende de conhecimentos mínimos da relação ecológica,
taxonomia, fisiologia e reprodução destes seres, e em nível de laboratório, o domínio técnico do cultivo de microrganismos e tecidos “in vitro”, e por extensão, em outros substratos. A avaliação do crescimento dos micélios de fungos requer a utilização de um método de identificação e marcação de cepas e placas de cultura, coleta de dados periódica e medição dos efeitos “territoriais” da competição. Diante do exposto, e das necessidades metodológicas que requer este tipo de aprendizagem, (treinamento, mediação técnica e observação), justificase, ao nível de laboratório, a utilização do cultivo de fungos, por constituir objeto de pesquisa por excelência, já que as classes envolvidas crescem de forma semelhante e rapidamente, diferenciando-se em espécies com coloração marcantes, nas quais se podem observar e avaliar o grau de competição, apreender e discutir sobre os erros de aplicação da técnica e entender os conceitos da biologia e os princípios mais gerais da vida que nos cerca.
Material e métodos
Etapa 1 – (Ensaio - Nas condições atuais disponíveis no laboratório.)
- Será proferida uma aula teórica ao nível de segundo grau sobre o tema e exposto a técnica e os procedimentos básicos para a cultura deste tipo de tecido “in vitro” aos alunos.
- Serão distribuidos aos alunos tréplicas de tubos de ensaio e placas-de-petri, com meios de cultura previamente esterilizados, e exemplares de cogumelos do gênero Pleurotus para serem utilizados conforme as instruções teóricas, bem como lamparinas e alças-de-platina para a transferência de “tecidos” e o material adequado para identificar e marcar as placas e culturas utilizadas no ensaio.
- Serão isoladas ao final do ensaio cepas de fungos competidores que provavelmente se desenvolverão nos meios de cultura, e repicadas até obtenção de cultivos puros, pelo tempo necessário à formação das estruturas reprodutivas indispensáveis à identificação do fungo, sempre que possível até gênero, para posterior utilização na segunda etapa do projeto.
As placas e os tubos serão incubados a 20/25ºC em estufa e banho-maria.
- Será recomendado aos alunos consulta à Internet utilizando a sinonímia contida no projeto e a busca de imagens dos fungos envolvidos ou das suas estruturas anatômicas.
- Serão discutidos ao final da etapa os resultados do ensaio e a preparação para o experimento propriamente dito.
Etapa 2 – (Experimento - Nas condições ideais de laboratório.)
-Adquirir uma panela de pressão de 4,5 l e construir uma capela de inoculação.
-Elaborar a estratégia de trabalho e editar planilha para a coleta de dados.
-Preparar, distribuir, e esterilizar a vidraria com meios de cultura.
-Executar o experimento com três repetições, com um controle e testemunha, nas mesmas condições de temperatura, umidade e luminosidade.
-Anotar periodicamente as medidas de crescimento dos micélios e relatar sucintamente o “comportamento” das cepas envolvidas.
-Avaliar a resistência das três cepas comestíveis de Pleurotus ostreatus, P. sajor-cajou e Pleurotus eryngii frente à no mínimo três fungos competidores.
Etapa 3 – (Resultados - Preparação para publicação)
- Tabulação de resultados e confecção de gráficos demonstrativos.
- Análise e discussão do relatório.
- Resumo.
- Montagem de Painel
- Publicação.
Cronograma. 2009
Início atividades >Junho * Ensaio>Julho> Ensaio> Agosto> Experimento> Setembro> Publicação> Novembro
BIBLIOGRAFIA
MANCUSO.R,;BORGES.R,M,R;STEFANI.A, Capacitação Pedagógica de
Docente dos Cursos Técnicos da Rede Estadual de Ensino do Estado do
Rio Grande do Sul. Porto Alegre SUEPRO, maio/junho de 2007
HERRIGEL.E, A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen 9ºed. São Paulo: Pensamento, 1975.
FURTER.P, Educação e Reflexão 7ª ed Petrópolis, RJ, 1973.
TURRA. D,E; SANTAÁNNA. F,M; ANDRÉ. L,C; Planejamento de Ensino Por Avaliação Porto Alegre, 10ª ed. SAGRA, 1983
ENEO. A, Manual de Controle Higiênico Sanitário de Alimentos 2º edição São Paulo 1996 .
Disponível em http://zm.coex.cz/kontaminace_m.php acesso em 30 de maio de 2007
Disponível em http://www.ncipm.org.in/Trichodermo%20harzianum.htm acesso em 31 de maio de 2007
Disponível em http://www.geocities.com/~esabio/cogumelo/agaricus.htm acesso em 5 de junho de 2007
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